Entre profano e divino
o Tempo é ser e não-ser;
é trem veloz sem destino
que não tem tempo a perder.
O Tempo tem sede e fome
em seu perene devir
que tudo e a todos consome
sem jamais se consumir
Tempo feito estranho jogo
que mão alguma conduz!
Tempo de gelo e de fogo,
tempo de treva e de luz.
Tempo em tempos dividido
com quinhões de riso e dor
na tristeza do vencido,
na festa do vencedor.
Tempo de gula e jejum,
tempo de azar e de sorte
o Tempo é o elo comum
unindo, em si, vida e morte.
Quem pode o tempo deter?
Quem pode o tempo medir?
E a quem foi dado o poder
para do tempo fugir?
Tempo de amor e de paz,
tempo de sonho e magia
tempo em que o verbo se faz
somente de poesia.
Tempo de exilio e de mágoa,
de renúncia e solidão
tempo em que o pranto deságua
no açude do coração.
Oculto em nossas jornadas
o Tempo avança, veloz,
deixando suas pegadas
nos rostos de todos nós.
Mas virá o tempo em que o tempo
das plantas, dos animais,
cederá lugar ao tempo
das pedras, do nunca mais...
Antonio Juraci Siqueira
Espelhos & Punhais
MALTA DE POETAS
FOLHAS E ERVAS
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quinta-feira, 10 de março de 2011
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